Inflação de fevereiro sobe 0,70% e educação lidera pressão nos preços no Brasil

 

A inflação oficial do país registrou avanço no mês de fevereiro, impulsionada principalmente pelo aumento dos custos na área de educação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que mede a inflação para famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, apresentou variação de 0,70% no período, mostrando aceleração em relação ao mês anterior.

O resultado representa um crescimento em comparação ao índice de janeiro, quando a inflação havia sido de 0,33%. No acumulado do ano, a alta chega a 1,03%, enquanto no comparativo com os últimos doze meses o índice soma 3,81%. Apesar da elevação mensal, o resultado anual mostra desaceleração em relação ao período anterior, indicando um cenário de inflação mais controlada.

Os números mantêm a inflação brasileira próxima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, fixada em 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Esse comportamento do índice reforça as expectativas do mercado financeiro em torno de possíveis mudanças na política monetária do país, especialmente no que diz respeito ao início de um ciclo de redução na taxa básica de juros.

Entre os grupos de produtos e serviços analisados, o destaque foi o setor de educação, que apresentou a maior variação entre todos os segmentos. O grupo registrou aumento de 5,21% no mês e foi responsável por cerca de 44% da inflação observada no período. O avanço está diretamente relacionado aos reajustes aplicados no início do ano letivo em escolas e instituições de ensino.

Dentro desse grupo, os cursos regulares concentraram os maiores aumentos. As mensalidades do ensino médio tiveram elevação de 8,19%, seguidas pelo ensino fundamental, com alta de 8,11%, e pela pré-escola, que registrou aumento de 7,48%. Esses reajustes são considerados típicos do início do calendário escolar e costumam exercer forte influência sobre o índice de inflação no primeiro trimestre do ano.

O segundo maior impacto veio do grupo transportes, que registrou variação de 0,74%. O principal fator foi o aumento expressivo nas passagens aéreas, que subiram 11,40% no período. Outros itens também contribuíram para a elevação dos custos, como o seguro voluntário de veículos, que teve alta de 5,62%, o conserto de automóveis, com aumento de 1,22%, e as tarifas de ônibus urbanos, que avançaram 1,14%.

Em contrapartida, os combustíveis apresentaram leve recuo médio de 0,47%. A gasolina registrou queda de 0,61%, enquanto o gás veicular teve redução de 3,10%. o etanol apresentou aumento de 0,55% e o óleo diesel subiu 0,23%.

No grupo saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,59%, influenciada principalmente pelo aumento nos preços de artigos de higiene pessoal e pelos reajustes em planos de saúde. O setor de habitação também apresentou variação positiva de 0,30%, puxada sobretudo pelo aumento nas tarifas de água e esgoto.

A energia elétrica residencial teve variação moderada de 0,33%, mantendo-se sob a bandeira tarifária verde, que indica condições favoráveis de geração de energia. Por outro lado, o gás encanado apresentou redução de 1,60% no período.

No setor de alimentação e bebidas, os preços também registraram leve aceleração, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. Entre os produtos com maiores aumentos estão o açaí, com alta expressiva de 25,29%, o feijão-carioca, que subiu 11,73%, o ovo de galinha, com elevação de 4,55%, e as carnes, que registraram aumento de 0,58%.

Por outro lado, alguns alimentos apresentaram queda de preços, como frutas, óleo de soja, arroz e café moído.

a alimentação fora de casa registrou alta de 0,34%, mas em ritmo menor do que o observado no mês anterior. A desaceleração foi influenciada principalmente pela redução no ritmo de aumento dos lanches e das refeições em restaurantes.

O comportamento da inflação ao longo dos próximos meses continuará sendo acompanhado de perto por economistas e autoridades monetárias, que o controle dos preços é um dos principais fatores que influenciam decisões sobre juros, consumo e crescimento da economia brasileira.

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